quinta-feira, 17 de setembro de 2020

The lion fell in love with the lamb

De volta a este blog, um refúgio digital imortalizado pelo algoritmo do google. Eu jamais imaginaria que ele se manteria vivo, embora não atualizado, completando extraordinários 10 ANOS de textos não justificados. Esse vai ser o primeiro agraciado de completo alinhamento!!! 

Pois bem, eu nunca compactuei com tamanho compromisso em vida, compromissos me dão ansiedade na verdade. Mas este blog se nutre graças a ela, que energiza minha mente com um fluxo de pensamentos que eu não sei se um dia serei capaz de controlá-lo, não sei nem se quero. Esse cenário de constante drama mental é peça chave no meu modo de ser, sabe-se lá se eu seria como sou, ou se teria chegado onde estou (outro assunto complexo demais que vale um questionamento posterior), ou se me apegaria aos amigos que tenho se eu fosse minimamente mais estável. Longe de mim não ansiar por saúde mental, mas enquanto a mente não interfere nos padrões científicos de sanidade, acho que está tudo bem, né? 

O ANO É 2020, setembro, tem quem diga que a pandemia está erradicada do planeta, e que já é permitido lamber pessoas e outras superfícies sem pegar uma doença que te tira o fôlego. Tem quem diga que racismo no Brasil não existe, que você só não venceu na vida porque não se esforçou o suficiente e que a ditadura foi revolução. Tem quem diga muita coisa. O fato é que o planeta esteve tão em polvorosa que eu vou ter que favoritar o link da retrospectiva desse ano pra ir vendo em partes, de acordo com a resistência do meu estômago. E quando digo em polvorosa, é com coisas explodindo mesmo, literalmente. Cidades explodindo, Pantanal e Amazônia pegando fogo. Inclusive um parêntese mental aqui, tivemos o Museu Nacional que também pegou fogo em setembro, mas foi de 2018, e eu estou em estado de choque enquanto redijo este testemunho, porque pra mim não faz muito tempo. Sinceramente, qual o rumo que esta geração está tomando? Essa parece ser a pergunta de um milhão de dólares, que na cotação atual vale muito mais que barras de ouro, 5.24 vezes o real para ser mais precisa. Minha esperança é poder reler essa postagem daqui a mais 10 anos e rir desse cenário tal qual eu ri ao ler minha descrição melódico-dramática de uma série de sonhos que andava tendo aos 14 anos. Meus sonhos eram passíveis de serem levados a um psicologo para análise, qual será o profissional que buscarei para averiguar a seriedade da situação do país que eu descrevi anteriormente? 

Ainda no espectro de comparação do ciclo de 10 anos, tenho o prazer de registrar o recente lançamento literário capaz de abalar estruturas de um coração quase engessado por bibliografias acadêmicas: O sol da meia noite. Isso mesmo, o maior boato da oitava série twilighter finalmente se tornou realidade. Minha parcela vampira se encheu de alegria, e confesso que retornar ao torpor romântico sob a perspectiva do Edward Cullen me faz acreditar de novo no amor (inteiramente idealizado e irreal). Apesar de ser bem atenta aos sinais de obsessão abusiva descritos no livro que felizmente não consigo mais relativizar, o relato de amor profundo e intensa necessidade de proteger outrem ainda me toca de maneira substancial. Não que eu deseje que um homem nascido de contos medievais sobrenaturais frequente meu quarto toda noite e me observe dormir, mas a descrição do ser imortal nervoso e emocionado diante daquela que mais ama e do medo de perdê-la vista a efemeridade da vida humana e a fragilidade a que nosso organismo é submetido me parece profunda e pertinente. Afinal, com que frequência alguém experimenta verdadeiramente o sentimento de que importar com a o viver do outro na mesma intensidade que se preocupa com si próprio? Isso é algo a se almejar? Questões.

Para a infelicidade do leitor, já passa da meia noite e eu preciso dormir. Mas há tanto pra dizer. Será que devo reascender o costume da escrita para a posteridade? Acho que a Gaby de 34 anos não perde por esperar ler um drama universitário enquanto desfruta de plena estabilidade financeira e psicológica enquanto vivencia o bem estar social no Brasil entregue ao proletariado. Seja bem vinda minha cara.