quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Take me somewhere nice.

   Olha lá, que linda aquela jangada embalada pelo mar. Olha só, esse estrago que a brisa faz com teu cabelo e só te causa vontade de rir, tamanha a confusão que é sentar contra o vento na praia. Sente um  pouco esses pequenos fragmentos que foram sedimentados por anos, milênios, eras, muito antes de tu ser importante para alguém, que se deparam com a tua pele que mal sai de casa. Abraça essas águas mornas e salgadas, brinca com essa sombra que vira e mexe num sol de verão, afunda esses pezinhos urbanos nessa areia branca e meio quente. Desaba. Mas não desaba de dor, não desaba de exaustão, não se entrega à confusão, não se joga nessa patologia não diagnosticada de instabilidade mental, não cede ao constante convite de auto destruição. Desaba no fim de tarde. Desaba no céu lilás-laranja das cinco e meia. Se perde em fofuras e figura das nuvens, canta um pouco. Permite se comover mais, se envolver menos, se apegar ao mínimo, se libertar ao tudo. Quando o tempo começar a escurecer, quando te tirarem a força da paz e da plenitude do ser, grita, esperneia, chora, se debate. Só não se tranca de novo no quarto.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

But I keep running for a soft place to fall.

   A gravidade é cruel. Me puxa contra o chão, me lança na imensidão, judia de um corpo sem forças para ao menos se manter em pé. Bato as pernas, peço socorro com braços flácidos de exaustão e em nada consigo me agarrar para ficar no lugar. O vácuo me envolve, não consigo respirar. A pressão me explode de dentro para fora, não há conceito físico que mantenha a unidade do meu ser. Um gosto estranho se instala na boca, a náusea invade um interior vazio de convicções. Cambaleante, sigo tropeçando em meus próprios demônios, que me abraçam, me apertam, me sufocam, me destroem, me embalam, me convencem, me distraem, me confortam e me largam novamente para cair. Observo, em meio à lentidão, algumas lágrimas que não parecem saber de onde vêm. Busco por perguntas para as minhas justificativas, tudo que eu queria era uma solução. Tudo que eu tenho são soluços.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Their tears are filling up their glasses, no expression.

  Numa tentativa de arquivar algumas sensações, venho por meio desse texto relatar características de um dia em que gozei da solidão para perceber que ela pode não ser tão ruim.
   Mais um dia de sol nasceu, repleto  de pequenos rituais. Levantar, tomar banho, comer, beber um copo dágua, prender o cabelo e sair. Tinha uma consulta com a psicóloga, ando fazendo terapia. O trajeto é tranquilo, são movimentos executados de maneira quase automática. Inovei um pouco lendo um livro. Li algo sobre marketing que se referia ao drama ainda não concretizado da história. Achei muito interessante. Pelo o que entendi, uma empresa de lâminas observou queda das vendas de determinado barbeador. Na verdade, a grande questão não era a qualidade questionável do produto, pelo contrário. As lâminas eram tão boas que os consumidores retornavam ao supermercado menos vezes para adquirir outras. A empresa estava achando aquilo prejudicial para os lucros, então decidiu lançar um novo produto, com algum diferencial, mas com durabilidade inferior. Mas porque refletir sobre lâminas?
   As consultas semanais diminuem certa tensão de origem desconhecida que carrego em minhas costas. Pautas aleatórias são lançadas, e concluo todas elas com exercícios de respiração. No fim, agradeço e remarco a consulta para semana posterior. Não sei quanto tempo isso vai durar.
   Me dirigi ao shopping. O dia anterior fora bem difícil, crises ocorreram de forma desconhecida. Devo dizer que eu tenho medo. Decidi que deveria fazer algo que me distraísse, sozinha mesmo.
   Almocei calmamente e no silêncio de uma mente rodeada de burburinhos de uma praça de alimentação. Resolvi ver um filme no cinema. Nos espaços que ia percorrendo. percebi tanta coisa. Grupos de estudantes histéricos por algum motivo, alguns indivíduos mais carrancudos que observavam aquelas cenas com desaprovação (ou indiferença?), mães e pais animados acompanhando seus filhos em algum passeio familiar, casais esboçando carinho e união em momentos que eu confesso sentir certa inveja... Queria lembrar de tudo, a mente humana é falha, ou pelo menos a minha, Ela foca em coisas insignificantes, às vezes prejudiciais, e se esquece ou não é capaz de guardar pequenos cenários do cotidiano, pequenos fatores que tornam a cronologia do ser humano única. Me pergunto se a minha está sendo favorável. Se fosse possível revê-la em todas as suas características, eu estaria satisfeita? Na verdade, duvido muito. Sinto que, no caminho da vida, eu cai num buraco fundo que eu não consigo sair. O otimismo não me socorre, os bons momentos não me comovem, boas intenções passam despercebidas e a única capacidade que me restou foi a de guardar rancor, mágoa, ódio, tristeza. Peço constantemente perdão, não valorizo mais meus atos, quiçá minha existência. Não posso me deixar levar para tão fundo, quem garante que sempre será possível me resgatar? Tenho medo da profundidade, tenho medo da solidão, tenho medo da morte, tenho medo. Quero me livrar disso, desses demônios, desses tormentos, desse peso, quero ajuda, mas não sei de fato o que anda acontecendo. Sendo bem sincera, as coisas ultimamente terminam nisso: em um grande e inviolável ''não sei''. Escrevo por horas, converso por dias, penso uma vida inteira. Me sinto fraca, indefesa, ingênua, ignorante. Careço de atenção, mas me incomodo quando a tenho. Só desejo que as pessoas calem a boca. O que diabos ta rolando.
   Confecciono este devaneio no meio de uma aula. Absorvo absolutamente nada do conteúdo, é algo relacionado a aerofotogrametria, mas se olhei para as anotações da lousa 5 vezes foi muito. Não me surpreende quando a noite chega e eu sou tomada pelo sentimento de improdutividade. Mas afinal, estou sendo vítima desse infortúnio emocional ou culpada por estar cultivando isso? Poderia parar agora e prestar atenção na aula. Mas só penso em ir para casa e me isolar novamente, ou sair escrevendo até lá, inventando o que me distrair.
   Bom, já chega. Me falta repertório e conteúdo que não pertença a esse sentimento cíclico de auto-destruição.

domingo, 13 de novembro de 2016

Memento. (Algum lugar de 2015)

  Diante da minha atual estagnação existencial, não tenho muito a declarar além das mesmas crises mentais de sempre. Nenhuma experiência fora do comum abalou minha vida além das mesmas picuinhas psicológicas sobre auto-estima, caráter e personalidade. Sabe a solidão escancarada em textos e pensamentos de uns 4 ou 5 anos atrás? Então... continuam. Não consigo enxergar o que me falta pra atingir um nível estável de devaneios, um que não me impeça de dormir antes de recapitular tudo que foi vivido no dia. Essa mania de achar que todo o meu redor segue um padrão do qual eu não me insiro não me deixa. Todo dia analiso o meu eu, e só encontro erros, falhas, ausências e distúrbios. Mas há alguns aspectos que emergem dentre todos os outros. É hora de fazer jus aos lunáticos.
   Uma característica arrasadora que me ronda e que não possui origem justificada é uma aparente falta de sensibilidade vinda de mim. Não é exatamente agir como uma rocha. Está mais na incapacidade de demonstrar certas emoções. Observo indivíduos que banalizam um simples abraço, o que vai de encontro á minha contagem de carinho dado. E, não sei como, essa involuntária repulsa parece estar estampada na minha testa, porque os mesmos indivíduos não tomam a menor das iniciativas. Sou sempre a amiga das conversas, das pequenas palhaçadas, da personalidade infantil e fofa, dos bordões bizarros e patéticos, mas que parecem caracterizar um perfil em mim que gostam. Entretanto, qualquer coisa mais profunda que uma tarde de conversa não rola, e não estou me referindo a coisas amorosas(sobre isso eu realmente já desisti). É triste ver pessoas que você considera as mais próximas, que mais falam com você, mas que menos compartilham sentimentos pessoais. É ver amigos de alguns anos abraçando diariamente gente de poucos meses, mas que não lhe dão nem um aperto de mão. É vê-los comentando com outros sobre particularidades  que, para você, chegam como boato. Para completar, você julga todos esses outros como seres tão superficiais, tão mesquinhos e frescurentos. Você acaba colocando-se em um pedestal, e torna-se "superior", mas sozinha. O assunto é complexo, há muito ainda o que falar, mas não quero me prender a apenas esse comportamento.   Seguindo a perspectiva de estagnação, é obvio que quem seguiu em frente, consequentemente, te deixa. Ao longo do tempo, as conexões vão ruindo, e os esforço para mantê-las começa a se polarizar. No fim das contas, Os grandes protagonistas da sua história, hoje têm mais com que se preocupar. Não vou generalizar e enfiar vários dos antigos amigos na roda dos que não mais procuram saber se estou viva. Com muitos esse sentimento é recíproco. Mas há alguns dos quais era clara e evidente a importância que tinham. Manter algum assunto semanal era de extrema relevância para ambos, contribuindo até para a construção de ideias e de filosofias. De repente, não manifestam-se mais. Tanto faz se não os procuro em uma semana ou um mês. Apenas eu vou atrás de ter um ''oi'' correspondido. Além disso, nos raros diálogos ainda ocorrem episódios de vácuos tão destruidores quanto a própria perda de contato. Alguém que tanto agradecia pelas madrugadas de devaneios atualmente nem mesmo se dá o trabalho de responder um 'Boa noite' visualizado no outro dia, ou de explicar a falta de respostas na noite anterior. De verdade, mesmo que doa, cansei.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

I'm in the business of misery.

   Tão escassas estão sendo minhas epifanias, sinto falta das inspirações esporádicas.  Nada que não envolva aqueles conhecidos problemas mentais surgem como algo que possa contribuir em algum conteúdo deste blog, em algum rabisco, em alguma melodia...E, céus! Começou a tocar uma playlist que a tempos não escutava, é um sentimento estranho e engraçado. Parece que eu voltei dois anos e estou sentada diante de uma realidade que já passou. Aquelas abobrinhas que eram semeadas no meu terreno etéreo da mente estão voltados, mas, diante do agora, elas não têm muito significado. Mesmo assim... é bem intensa a sensação. Algo semelhante ocorre quando eu escuto Paradise - Coldplay que, embora eu não seja fã da banda, a música imediatamente me leva à atmosfera escolar do meu terceiro ano do ensino médio, pois ela tocava no intervalo das aulas para sinalizar troca de professor. Olha só, encontrei uma fonte de sensações: minhas listas antigas de música. É capaz de descer uma lágrima se eu ir atrás de melodias do Paramore... essas sim seriam um gatilho para um turbilhão de antigos sentimentos, antigos sorrisos, antigas aspirações. Hayley Williams ilustrou uma belíssima época de poucas preocupações e muitas piadinhas, de uma rotina nem um pouco sedentária, de um ano bem feliz. De noites na portaria do colégio, jogando conversa fora, esperando meu pai. Que tempo interessante.
   Enfim, eu só queria que as épocas que virão sejam, um dia, dignas de serem memoráveis, envolvidas pelas melhores trilhas sonoras.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Somewhere in the end we're all insane.

   Tão poéticos os trechos da madrugada, tão singelas as reflexões da noite. A paz me consome de maneira melancólica, trazendo consigo a tranquilidade do vazio. Não o vazio saudoso, mas o vazio amável. É o desejo de não se pensar em nada mais relevante que as letras da canção, e apenas importar-se com uma voz aveludada desconhecida. Acompanho cada batida da música que, de forma tão clichê, combina com as batidas do coração. O único desafio, ate então, é a busca pelo sono. Mas parece que escrever algumas palavras soltas, ao contrário de dormir, aliviam minha inexplicável ansiedade, minha eterna sensação de estar faltando algo, ou de alguma coisa estar prestes a acontecer. Talvez ambas as coisas. Posso muito bem estar subindo em um palco pronto para ser apresentado a milhões de indivíduos que esperam pelo show: de horrores? De amores? Talvez eu possa estar esquecendo algo, ou alguém, negligenciando a importância de cada pequena parte que compõem o que chamam de estória. Minhas estórias. Minhas aventuras arquitetadas, mas nem sempre executadas. Minhas paixões platônicas, minhas desilusões. Um medo estranho me faz achar que tudo pode dar errado, que as variáveis podem não estar ao meu favor, que vangloriar-se pode contribuir para um fracasso futuro, e a angústia, então, seria inevitável. Enfim, basta, a noite está tão linda...