sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Somewhere in the end we're all insane.

   Tão poéticos os trechos da madrugada, tão singelas as reflexões da noite. A paz me consome de maneira melancólica, trazendo consigo a tranquilidade do vazio. Não o vazio saudoso, mas o vazio amável. É o desejo de não se pensar em nada mais relevante que as letras da canção, e apenas importar-se com uma voz aveludada desconhecida. Acompanho cada batida da música que, de forma tão clichê, combina com as batidas do coração. O único desafio, ate então, é a busca pelo sono. Mas parece que escrever algumas palavras soltas, ao contrário de dormir, aliviam minha inexplicável ansiedade, minha eterna sensação de estar faltando algo, ou de alguma coisa estar prestes a acontecer. Talvez ambas as coisas. Posso muito bem estar subindo em um palco pronto para ser apresentado a milhões de indivíduos que esperam pelo show: de horrores? De amores? Talvez eu possa estar esquecendo algo, ou alguém, negligenciando a importância de cada pequena parte que compõem o que chamam de estória. Minhas estórias. Minhas aventuras arquitetadas, mas nem sempre executadas. Minhas paixões platônicas, minhas desilusões. Um medo estranho me faz achar que tudo pode dar errado, que as variáveis podem não estar ao meu favor, que vangloriar-se pode contribuir para um fracasso futuro, e a angústia, então, seria inevitável. Enfim, basta, a noite está tão linda...

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Cold heart is a dead heart.

Terríveis fontes para mais as lindas águas claras
Inspirações erradas para os sentimentos mais certos
Olhares tão densos da mais leve reciprocidade
Fugas tão falhas de um dia chuvoso
Vícios tragicamente incontroláveis
Amarras e epifanias
Reflexões tão óbvias quanto a entropia dos corpos
Vozes tão graves como o enredo trágico
Anos de um ilusionismo profundo
Tentativas, expectativas, sonhos
Incessante vontade de correr
Inexistente sucesso
Esperança
Um dia
Algumas semanas
Os céus reservam milênios
Finalmente o juízo atinge a forma
À espera de uma corrente forte e um torpor racional
O tão esperado resgate de mais um segundo de desvairamento
Recordações de uma porta rabiscada com os mais persistentes trechos
"Se eu acordar antes de morrer, me salve com um sorriso"
Deletado.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

You now collapse, cave in revealing scabby marks of life.

   E cá estou eu, numa tarde de sexta feira, pedindo ao universo motivos para escrever algo novo, algo inesperado, talvez otimista ou, quem sabe, genial. Não creio que isso vá acontecer. Mas é extremamente terapêutico simplesmente começar algo, sem preocupar-se com o fim que vai chegar. Comecemos.
   Diante de toda a burocracia educacional do país, aqui permaneço fadada a angústia da espera de algumas notas que definirão meus próximos passos na vida. Eu estava evitando voltar a esse assunto, o mar de depressão que envolve este feito deve acabar, afinal, já passou, só preciso esperar. Mas a ansiedade não passa, quanto mais eu tento definir o que sinto, menos eu esqueço e mais intensifico este fardo, por favor, alguém me pare!
   Partindo para outro assunto, não sei exatamente qual, adoraria definir o quão paradoxal é um fim de tarde. Ele comporta-se como um meio termo do dia, se a imaginação for potencialmente forte, igualar o crepúsculo ao amanhecer é formidável. A luz tangencial do sol se pondo cria sombras que, às vezes adornam corpos da natureza, ou amedrontam quem depende do astro para sentir-se seguro. A satisfação de quem concluiu todos os sonhos e projetos num intervalo de tempo iniciado às 6 da manhã completa-se com o pôr do sol. Mas para aqueles que se destroçam frente à perda de tempo e à procrastinação, observar os tons de azul escurecendo traz a tona a sensação devastadora de desolação em relação ao próprio controle do tempo, como se ele rodopiasse da maneira mais cômica enquanto o seu bem-estar evapora e segue o caminho dos ventos. O juramento feito à própria moral afirmando que algo será diferente do dia anterior é refeito, para ser ignorado constantemente nos momentos posteriores. Creio que superar esse ciclo vicioso seja o grande desafio do homem, desafio o qual ainda me submerge nas águas do arrependimento.
   A cada texto espero uma mudança diante do assunto refletido. A cada noite, eu, relativamente, quebro a cara. E a cada madrugada faço um novo juramento.

Sinking further in this seminary sea.

   Iludidos eram os teus olhos que fitavam o poema que ao lado das estrelas humilhavam de tão forte que eram os laços entre linhas que agarravam o horizonte desbravando a beleza mais tímida do mundo e dizendo que de amor era feita a fofura de um sorriso que servia até como elogio mas no fim de mais um clarear dos céus o que resta é uma prosa de uma noite intensa que no fim não eram mais que palavras.

sábado, 12 de setembro de 2015

Now all hope is gone, so drown in this love.


    Lembro de estar em algum alpendre. Parecia ser uma borracharia, mas não quero rebaixar minha vivência a tão pouco. Eu parecia esperar alguém. De fato.
    De repente ele aparece. Meu belos olhos. Meu mais adorado olhar. A voz que arrepia os pelos da nuca, que esclarece minhas ilusões, que me traz à realidade mais suportável. Aquele brilho que me garante as certezas do mundo, mas me engana da maneira mais primitiva. Aquele que inverte meus sentidos da madrugada. Eu poderia definir toda a minha percepção de um momento que durou algo em torno de cinco segundos em eternas páginas. Me sinto no direito de continuar. Neste breve espaço de tempo, um sorriso iluminou minhas mais tímidas angústias.
     É quase como um sorriso complexo e envolto a milhares de interpretações. O movimento dos olhos junto ao encurvar dos lábios me trouxe um dos seus encantos mais abstratos que eu já vivi num sonho. 
  Segundo numero dois. Embriagada com minhas observações, minha amada e admirada voz do trovão tragava a minha essência como se fosse o último vício da terra. Seus olhos abraçavam os meus enquanto delirava sobre a gênese das diversas constelações que timidamente nos assistiam. Enquanto isso, num misto de ódio e obsessão, eu vislumbrava a face que me iludia e suprimia meus desejos mais profundos. A raiva em depender de uma existência tão etérea era ignorada pelos mais longos segundos de idolatria. E sim, eu odeio isso.
   Em um terceiro segundo, o olhar transformou-se num toque. Enlaçada brevemente pelos seus braços, afundei a alma num corpo cálido que eternizou mais outro segundo. E enquanto gozava do calor do momento, um intervalo de tempo me separou do torpor em que eu me encontrava, e de repente estava sozinha, fitando o teto do meu quarto, acostumando meus olhos às finas brechas de luz da janela. 
   O sonho acabara, e continuava mais vivo do que nunca.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Hello darkness my old friend.

   Primeiramente, gostaria de deixar claro que não tenho nada específico a ser discutido ou refletido aqui. Digamos que, na falta de válvulas de escape para expressar certos impasses existenciais, utilizo da melhor ferramenta de escrita que eu já adotei nos últimos 6 anos: este blog. SIM, este blog tem mais ou menos essa idade. Loucoslunáticos é a minha melhor fonte de reflexão sobre meus anos "conturbados" de adolescência. É hilário analisar a temática, a forma de escrita, as inspirações e as realidades das quais eu vivi nesse período. Infelizmente, isso me deixa triste, porque eu não mudei tanto. É desolador. Enfim, pulemos para outro parágrafo por motivos estéticos.
   Embora a técnica de escrita tenha melhorado, os temas abordados são os mesmos devaneios de sempre, assim como o vocabulário referente ás depressões. Tem coisa mais clichê que escrever textos tristes e vazios com termos, como o próprio "devaneio", como "desilusão'', "existência", ''solidão'',  "sol, amanhecer, raiar do dia, silêncio..."? Já é algo tão batido, tão previsível. Engraçado que, algum tempo atrás, seguir esse perfil era legal, era cult, era intelectual, ou sei lá. Parece que atuar um papel filosófico de vida era interessante, conversar sobre Nietzsche aos 14,15 anos de idade transparecia um alto grau de sabedoria. Óbvio, todo o repertório sociocultural da época era restrito ao que era aprendido nas aulas de filosofia. E o que dizer sobre os gostos musicais? Vamos lá amigos, vamos aqui escutar HIM (adoro deixar evidente o quanto essa banda marcou e ainda marca minha vida), vamos chorar ao som de Cocoon, a banda mais amor que eu ja escutei, mas a que mais me instigava ao desejo de chorar metaforicamente no canto. E nas horas de rebeldia hormonal? Iron Maiden até o tímpano chiar. E sabe o que é mais massa? Essas ainda são umas das bandas que eu mais gosto. E esses ainda são uns dos comportamentos que eu mais adoto para vida, E esses ainda são aspectos que me caracterizam. Mas eles deixaram de ser tão descolados como na época, porque ''eu'' já me tornei repetitiva. Duvida?
   Tenho completa consciência de que fui trouxa, assim como tenho completa consciência de que afirmar isso é imaturo. Mas é um fato. Hoje, acredito que atingi um patamar de estabilidade de personalidade aceitável. Mas um de sentimento? Nunca. Sofro por uma corrida ideal atrás de uma felicidade construída a partir de algum conceito ideal. Segundo meus cálculos, devia eu estar na Universidade, cursando algo do meu agrado Ou então, deveria estar cheia de histórias de ensino médio, cheia de experiências ousadas, vivências proibidas, sorrisos maliciosos. Eu deveria ter abraços diários, deveria ter tido beijos e amassos, advertências que não envolvessem apenas atrasos no colégio. Eu deveria estar me vangloriando pela mudança de cabelo, de rosto, de beleza do qual passei. Eu deveria estar relatando sobre aquela festa que eu fui e odiei. Talvez daquela declaração de amor desastrosa da qual fui alvo, ou da qual fiz. Mas, afinal, vivi algo assim? Não.
 
    Olha, para falar a verdade, perdi completamente a linha de raciocínio. Mas como já escrevi tanto, e como queria tanto nao deixar o blog morrer, nao deixar o blog acabar, vou postar esse desabafo de qualquer forma. Provavelmente usarei a mesma postagem, quando lembrar de tudo o que faltou falar, para retomar ideias e editá-las. No mais, é isso.