quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

I'm in the business of misery.

   Tão escassas estão sendo minhas epifanias, sinto falta das inspirações esporádicas.  Nada que não envolva aqueles conhecidos problemas mentais surgem como algo que possa contribuir em algum conteúdo deste blog, em algum rabisco, em alguma melodia...E, céus! Começou a tocar uma playlist que a tempos não escutava, é um sentimento estranho e engraçado. Parece que eu voltei dois anos e estou sentada diante de uma realidade que já passou. Aquelas abobrinhas que eram semeadas no meu terreno etéreo da mente estão voltados, mas, diante do agora, elas não têm muito significado. Mesmo assim... é bem intensa a sensação. Algo semelhante ocorre quando eu escuto Paradise - Coldplay que, embora eu não seja fã da banda, a música imediatamente me leva à atmosfera escolar do meu terceiro ano do ensino médio, pois ela tocava no intervalo das aulas para sinalizar troca de professor. Olha só, encontrei uma fonte de sensações: minhas listas antigas de música. É capaz de descer uma lágrima se eu ir atrás de melodias do Paramore... essas sim seriam um gatilho para um turbilhão de antigos sentimentos, antigos sorrisos, antigas aspirações. Hayley Williams ilustrou uma belíssima época de poucas preocupações e muitas piadinhas, de uma rotina nem um pouco sedentária, de um ano bem feliz. De noites na portaria do colégio, jogando conversa fora, esperando meu pai. Que tempo interessante.
   Enfim, eu só queria que as épocas que virão sejam, um dia, dignas de serem memoráveis, envolvidas pelas melhores trilhas sonoras.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Somewhere in the end we're all insane.

   Tão poéticos os trechos da madrugada, tão singelas as reflexões da noite. A paz me consome de maneira melancólica, trazendo consigo a tranquilidade do vazio. Não o vazio saudoso, mas o vazio amável. É o desejo de não se pensar em nada mais relevante que as letras da canção, e apenas importar-se com uma voz aveludada desconhecida. Acompanho cada batida da música que, de forma tão clichê, combina com as batidas do coração. O único desafio, ate então, é a busca pelo sono. Mas parece que escrever algumas palavras soltas, ao contrário de dormir, aliviam minha inexplicável ansiedade, minha eterna sensação de estar faltando algo, ou de alguma coisa estar prestes a acontecer. Talvez ambas as coisas. Posso muito bem estar subindo em um palco pronto para ser apresentado a milhões de indivíduos que esperam pelo show: de horrores? De amores? Talvez eu possa estar esquecendo algo, ou alguém, negligenciando a importância de cada pequena parte que compõem o que chamam de estória. Minhas estórias. Minhas aventuras arquitetadas, mas nem sempre executadas. Minhas paixões platônicas, minhas desilusões. Um medo estranho me faz achar que tudo pode dar errado, que as variáveis podem não estar ao meu favor, que vangloriar-se pode contribuir para um fracasso futuro, e a angústia, então, seria inevitável. Enfim, basta, a noite está tão linda...

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Cold heart is a dead heart.

Terríveis fontes para mais as lindas águas claras
Inspirações erradas para os sentimentos mais certos
Olhares tão densos da mais leve reciprocidade
Fugas tão falhas de um dia chuvoso
Vícios tragicamente incontroláveis
Amarras e epifanias
Reflexões tão óbvias quanto a entropia dos corpos
Vozes tão graves como o enredo trágico
Anos de um ilusionismo profundo
Tentativas, expectativas, sonhos
Incessante vontade de correr
Inexistente sucesso
Esperança
Um dia
Algumas semanas
Os céus reservam milênios
Finalmente o juízo atinge a forma
À espera de uma corrente forte e um torpor racional
O tão esperado resgate de mais um segundo de desvairamento
Recordações de uma porta rabiscada com os mais persistentes trechos
"Se eu acordar antes de morrer, me salve com um sorriso"
Deletado.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

You now collapse, cave in revealing scabby marks of life.

   E cá estou eu, numa tarde de sexta feira, pedindo ao universo motivos para escrever algo novo, algo inesperado, talvez otimista ou, quem sabe, genial. Não creio que isso vá acontecer. Mas é extremamente terapêutico simplesmente começar algo, sem preocupar-se com o fim que vai chegar. Comecemos.
   Diante de toda a burocracia educacional do país, aqui permaneço fadada a angústia da espera de algumas notas que definirão meus próximos passos na vida. Eu estava evitando voltar a esse assunto, o mar de depressão que envolve este feito deve acabar, afinal, já passou, só preciso esperar. Mas a ansiedade não passa, quanto mais eu tento definir o que sinto, menos eu esqueço e mais intensifico este fardo, por favor, alguém me pare!
   Partindo para outro assunto, não sei exatamente qual, adoraria definir o quão paradoxal é um fim de tarde. Ele comporta-se como um meio termo do dia, se a imaginação for potencialmente forte, igualar o crepúsculo ao amanhecer é formidável. A luz tangencial do sol se pondo cria sombras que, às vezes adornam corpos da natureza, ou amedrontam quem depende do astro para sentir-se seguro. A satisfação de quem concluiu todos os sonhos e projetos num intervalo de tempo iniciado às 6 da manhã completa-se com o pôr do sol. Mas para aqueles que se destroçam frente à perda de tempo e à procrastinação, observar os tons de azul escurecendo traz a tona a sensação devastadora de desolação em relação ao próprio controle do tempo, como se ele rodopiasse da maneira mais cômica enquanto o seu bem-estar evapora e segue o caminho dos ventos. O juramento feito à própria moral afirmando que algo será diferente do dia anterior é refeito, para ser ignorado constantemente nos momentos posteriores. Creio que superar esse ciclo vicioso seja o grande desafio do homem, desafio o qual ainda me submerge nas águas do arrependimento.
   A cada texto espero uma mudança diante do assunto refletido. A cada noite, eu, relativamente, quebro a cara. E a cada madrugada faço um novo juramento.

Sinking further in this seminary sea.

   Iludidos eram os teus olhos que fitavam o poema que ao lado das estrelas humilhavam de tão forte que eram os laços entre linhas que agarravam o horizonte desbravando a beleza mais tímida do mundo e dizendo que de amor era feita a fofura de um sorriso que servia até como elogio mas no fim de mais um clarear dos céus o que resta é uma prosa de uma noite intensa que no fim não eram mais que palavras.

sábado, 12 de setembro de 2015

Now all hope is gone, so drown in this love.


    Lembro de estar em algum alpendre. Parecia ser uma borracharia, mas não quero rebaixar minha vivência a tão pouco. Eu parecia esperar alguém. De fato.
    De repente ele aparece. Meu belos olhos. Meu mais adorado olhar. A voz que arrepia os pelos da nuca, que esclarece minhas ilusões, que me traz à realidade mais suportável. Aquele brilho que me garante as certezas do mundo, mas me engana da maneira mais primitiva. Aquele que inverte meus sentidos da madrugada. Eu poderia definir toda a minha percepção de um momento que durou algo em torno de cinco segundos em eternas páginas. Me sinto no direito de continuar. Neste breve espaço de tempo, um sorriso iluminou minhas mais tímidas angústias.
     É quase como um sorriso complexo e envolto a milhares de interpretações. O movimento dos olhos junto ao encurvar dos lábios me trouxe um dos seus encantos mais abstratos que eu já vivi num sonho. 
  Segundo numero dois. Embriagada com minhas observações, minha amada e admirada voz do trovão tragava a minha essência como se fosse o último vício da terra. Seus olhos abraçavam os meus enquanto delirava sobre a gênese das diversas constelações que timidamente nos assistiam. Enquanto isso, num misto de ódio e obsessão, eu vislumbrava a face que me iludia e suprimia meus desejos mais profundos. A raiva em depender de uma existência tão etérea era ignorada pelos mais longos segundos de idolatria. E sim, eu odeio isso.
   Em um terceiro segundo, o olhar transformou-se num toque. Enlaçada brevemente pelos seus braços, afundei a alma num corpo cálido que eternizou mais outro segundo. E enquanto gozava do calor do momento, um intervalo de tempo me separou do torpor em que eu me encontrava, e de repente estava sozinha, fitando o teto do meu quarto, acostumando meus olhos às finas brechas de luz da janela. 
   O sonho acabara, e continuava mais vivo do que nunca.