segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O sussurro do Trovão.

    Já era noite. Minto, estava muito mais próximo do raiar do dia. Não que isso importasse, afinal não se escuta as dádivas silenciosas de melodias noturnas pela manhã, e aquilo fazia falta. Uma distância deliciosa e segura mantinha duas forças em perfeita sintonia. Não havia nem mesmo a troca de energia, apenas de poesias sem rimas, originadas de uma arte milenar e quase desconhecida pelo homem moderno: o sono. As palavras aleatórias, que só transmitiam o quanto era desnecessário qualquer coesão a outros ouvidos, apenas apuravam a incerteza do momento. E só se distinguia um som, entre todas aquelas horas oníricas: o sussurro do trovão. Era quase um efeito alucinógeno, uma necessidade de apreender o timbre de que tanto dependia aquela mente. Resgatar o eco que nos seus sonhos provocava. Abdicar da sanidade em busca da obsessão platônica. A troco de quê? Satisfazer suas únicas experiências como se fossem as últimas? Ainda há espaço-tempo restante, não se engane. Entretanto, o sopro do caos é envolvente. E não entende-se como algo ruim. Mas a interpretação da força que acompanha a palavra é o melhor modo de se definir a intensidade do som. Leia trovão. Imagine a sua potência e esforce-se para encontrar a suavidade que é transmitida no final de um trovão. Conseguiu captar aquela sensação pós susto que o faz prestar atenção em cada palpitar dos céus até não haver sinal de qualquer ruído? Aguarde o relâmpago seguinte.

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