segunda-feira, 29 de março de 2021

Nothing to say

Mais um diário de bordo escrito de um navio que afunda dia após dia. 

Não sei ao certo o que relatar, não há muito o que dizer. Ainda estamos em pandemia, senhoras e senhores, e não é que esteja melhorando, veja bem, o presidente permanece o mesmo acéfalo já descrito anteriormente. Mas sigamos. 

Como na maioria das escritas desse canal, esta digito à noite, nas profundezas das 23h. Estão sendo noites conturbadas, inclusive. Não que eu nunca tenha tido dificuldade para dormir, mas agora a insônia não vem da ausência do sono, mas da vontade de não querer dormir. O marasmo que assola os meus dias manipula meu subconsciente a achar que eu deveria estar fazendo mais. Seja mais produtiva, aproveite seu tempo pra adiantar algo, porque você não sai desse instagram? 

Calma aí, minha cara, estamos morrendo.

Talvez não eu de imediato, enquanto organismo, mas o nosso redor. Nossas expectativas nascem e morrem todos os dias, nossas vontades. O cenário não é promissor para se estar fazendo planos, imaginando o futuro, organizando os próximos anos. Ele mal te dá o luxo de pensar quanto tempo você tem pela manhã para terminar aquele projeto, aquele seminário. O tempo é relativo não é mesmo, 4 horas pode ser tudo, pode ser nada. 

Mas como dito no início deste texto, não há muito o que dizer. 

Devia voltar a escrever poemas de amor, ainda que, pasme, não o tenha.

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

The lion fell in love with the lamb

De volta a este blog, um refúgio digital imortalizado pelo algoritmo do google. Eu jamais imaginaria que ele se manteria vivo, embora não atualizado, completando extraordinários 10 ANOS de textos não justificados. Esse vai ser o primeiro agraciado de completo alinhamento!!! 

Pois bem, eu nunca compactuei com tamanho compromisso em vida, compromissos me dão ansiedade na verdade. Mas este blog se nutre graças a ela, que energiza minha mente com um fluxo de pensamentos que eu não sei se um dia serei capaz de controlá-lo, não sei nem se quero. Esse cenário de constante drama mental é peça chave no meu modo de ser, sabe-se lá se eu seria como sou, ou se teria chegado onde estou (outro assunto complexo demais que vale um questionamento posterior), ou se me apegaria aos amigos que tenho se eu fosse minimamente mais estável. Longe de mim não ansiar por saúde mental, mas enquanto a mente não interfere nos padrões científicos de sanidade, acho que está tudo bem, né? 

O ANO É 2020, setembro, tem quem diga que a pandemia está erradicada do planeta, e que já é permitido lamber pessoas e outras superfícies sem pegar uma doença que te tira o fôlego. Tem quem diga que racismo no Brasil não existe, que você só não venceu na vida porque não se esforçou o suficiente e que a ditadura foi revolução. Tem quem diga muita coisa. O fato é que o planeta esteve tão em polvorosa que eu vou ter que favoritar o link da retrospectiva desse ano pra ir vendo em partes, de acordo com a resistência do meu estômago. E quando digo em polvorosa, é com coisas explodindo mesmo, literalmente. Cidades explodindo, Pantanal e Amazônia pegando fogo. Inclusive um parêntese mental aqui, tivemos o Museu Nacional que também pegou fogo em setembro, mas foi de 2018, e eu estou em estado de choque enquanto redijo este testemunho, porque pra mim não faz muito tempo. Sinceramente, qual o rumo que esta geração está tomando? Essa parece ser a pergunta de um milhão de dólares, que na cotação atual vale muito mais que barras de ouro, 5.24 vezes o real para ser mais precisa. Minha esperança é poder reler essa postagem daqui a mais 10 anos e rir desse cenário tal qual eu ri ao ler minha descrição melódico-dramática de uma série de sonhos que andava tendo aos 14 anos. Meus sonhos eram passíveis de serem levados a um psicologo para análise, qual será o profissional que buscarei para averiguar a seriedade da situação do país que eu descrevi anteriormente? 

Ainda no espectro de comparação do ciclo de 10 anos, tenho o prazer de registrar o recente lançamento literário capaz de abalar estruturas de um coração quase engessado por bibliografias acadêmicas: O sol da meia noite. Isso mesmo, o maior boato da oitava série twilighter finalmente se tornou realidade. Minha parcela vampira se encheu de alegria, e confesso que retornar ao torpor romântico sob a perspectiva do Edward Cullen me faz acreditar de novo no amor (inteiramente idealizado e irreal). Apesar de ser bem atenta aos sinais de obsessão abusiva descritos no livro que felizmente não consigo mais relativizar, o relato de amor profundo e intensa necessidade de proteger outrem ainda me toca de maneira substancial. Não que eu deseje que um homem nascido de contos medievais sobrenaturais frequente meu quarto toda noite e me observe dormir, mas a descrição do ser imortal nervoso e emocionado diante daquela que mais ama e do medo de perdê-la vista a efemeridade da vida humana e a fragilidade a que nosso organismo é submetido me parece profunda e pertinente. Afinal, com que frequência alguém experimenta verdadeiramente o sentimento de que importar com a o viver do outro na mesma intensidade que se preocupa com si próprio? Isso é algo a se almejar? Questões.

Para a infelicidade do leitor, já passa da meia noite e eu preciso dormir. Mas há tanto pra dizer. Será que devo reascender o costume da escrita para a posteridade? Acho que a Gaby de 34 anos não perde por esperar ler um drama universitário enquanto desfruta de plena estabilidade financeira e psicológica enquanto vivencia o bem estar social no Brasil entregue ao proletariado. Seja bem vinda minha cara.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Final Countdown

Após 4 ligeiros anos sem escrever neste blog, retorno de maneira extremamente descompromissada só para relatar um grande momento da história mundial referente à PANDEMIA do Covid-19. E para falar besteiras sobre mim, afinal é disso que se trata este canal.

Mas antes de relatar as diversas provações diárias desse período de quarentena e isolamento social, uma nota: É sempre um experimento retornar e reler certas coisas escritas em momentos muito distintos da minha vida, especialmente porque certos infortúnios nunca mudam. Felizmente, em 2020, digito cada letra deste texto sem ter uma única ilusão amorosa recente, apenas armada de amor próprio. Infelizmente, parte das lamentações sentimentais permanecem. Sim, meus caros, no auge dos meus 23 anos, beirando pesados 24, sigo desprovida de grandes badalações sentimentais e admirações irracionais direcionadas a outro indivíduo, ou seja, solteira. Parte de mim só acha que eu mereço morrer só, embora não tenha feito nada para merecer. A outra parte concorda que, independente de qualquer coisa, morreremos só.

QUANTO À PANDEMIA. Bom, estou a mais de 40 dias inteiramente isolada em casa, seguindo certas rotinas profissionais, cumprindo horário de estágio, aqui e acolá fingindo que eu posso aproveitar o tempo para agilizar meu desenvolvimento acadêmico, e esquecendo desse objetivo logo em seguida, quando me vejo imersa em uma lista inacreditável de filmes e séries vistos em uma semana. A coluna já pede socorro, a promessa de exercícios físicos diários se tornou um grande mito, tal qual o atual presidente da república: incompetente e negligente. Tem dias que está tudo bem, em outros, reflito sobre os devaneios básicos do ser humanos "quem sou, porque sou, pra que vivo". Confesso que passar mais de 20 min pensando sobre o sentido da existência num período em que você não pode fazer absolutamente nada para mudar sua rotina (que envolva sair de casa e interagir)  não é muito saudável. Não recomendo, caso surja outra pandemia, ou esta se prolongue por mais tempo que o previsto. A única coisa capaz de resolver todos os seus problemas de maneira eficiente (pelo menos por um tempo) é deitar e dormir.

Enfim, demais atualizações sobre a condição da humanidade, ou meu estado de espírito, planejo registrar por aqui. Google, não me decepcione, mantenha este blog vivo por tempo suficiente para que eu posso retornar aos fracassos de escrita por mais anos a frente.

Quem sabe eu volte a escrever sonhos.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

About you

Me deixa, eu te imploro. Me larga. Me liberta dessa insensatez, do sentimento insalubre que me adoece a cada história criada. Não me olha mais nos olhos, não me escreve mais poemas. Não me legenda como íntimo, não me envolve nessa psicodelia, não me faz pensar no impensável, não me recita o amor universal. Não sou o universo, muito menos a ligação infinita e recíproca dos subníveis de um átomo. Eu sou um corpo. Eu sou uma mente. Eu sou o individual, o ego, o escárnio, o erro, a obsessão, a lágrima que cai e que jorra quando palavras dilaceram meu interior. Eu te desenho, eu te escrevo, e te venero, eu te desejo. E não quero mais. E nem sei mais. Já não cabe mais. A mentira da estabilidade me abraça e me esfaqueia na penumbra da expectativa, que me cega, me venda e me vende as maravilhas do ideal. Não entra mais em casa, não entra mais em mim.

E toda noite eu clamo pelo nunca mais.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Toxic.

  Prudência jovem, palavras ferem. Uma faca de dois gumes que penetra o peito de quem a segura, ou o pescoço de quem a recebe. O jorrar do sangue morno banha  o corpo do leitor, que, imerso nas próprias interpretações, se afoga ao gritar por socorro. Pare? Esclareça? Continue a escrever? Respire. Esqueça o que se leu, reinvente o que foi entendido, confesse que a insanidade distorce os sentidos. Que conselho dar a quem carrega um inferno astral nas costas? Reflita, re-leia, rejeite, reaja, refaça, reviva, restaure, resguarde, resgata e respeite. Respire. Faça o que eu não digo. Faça o que eu não penso. Siga a razão, a integridade desse coração é questionável, a credibilidade dessa emoção é podre, a estrutura desse corpo é finita, e definha. Por fim, inspire. Respire.

domingo, 2 de abril de 2017

And pain is just a simple compromise

   Te observo. Inegáveis as vezes que quis observar mais. De querer somente percorrer toda a extensão da tua alma e corpo com um olhar. De querer compreender cada expressão, cada movimento da maneira mais plena. Diversos são os pensamentos nos quais persigo teus passos em busca de serenidade. Encontro palavras turvas. Reviro os olhos quando me encontro nas amarras do meu próprio sentimento, egoísta, mesquinho, viciado. Tal qual um dependente, rastejo em busca dessa morfina que cala meus medos, silencia receios, acalma. Nas noites, entregue ao divã imaginário dos meus devaneios, me sacio com uma droga eletrizante de amor, empolgação, carinho, uma dose doce de desejo contido, obsessão, que mais uma vez me agarram pelos cabelos curtos, mas que usam minhas próprias mãos para isso. Um embate diário entre a razão que repreende e a emoção que dilacera todas as cavidades de um coração ansioso, sempre pronto para sentir o calor do taquicardia que me vitimiza ao olhar nos teus olhos, que rasga o peito diante do sorriso, que me envolve na conversa solta e que me aquece no silêncio gélido. Diante das mais falhas tentativas de demonstração, me assemelho a um ventríloco, que manipula a própria voz e a entrega ao personagem. Não tenho como definí-lo. Entretanto, atinjo o ideal de liberdade literária ao fazer das palavras uma saída. E é em modo de fuga que lhe digo: tão macios são teus lábios que brevemente me perco, com os olhos fechados, numa escuridão onde até mesmo andaria de pés descalços nas brasas da tal emoção. O exagero é aceitável, as metáforas talvez piegas, a inconclusão quem sabe um charme, honestamente, já não sei mais.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Take me somewhere nice.

   Olha lá, que linda aquela jangada embalada pelo mar. Olha só, esse estrago que a brisa faz com teu cabelo e só te causa vontade de rir, tamanha a confusão que é sentar contra o vento na praia. Sente um  pouco esses pequenos fragmentos que foram sedimentados por anos, milênios, eras, muito antes de tu ser importante para alguém, que se deparam com a tua pele que mal sai de casa. Abraça essas águas mornas e salgadas, brinca com essa sombra que vira e mexe num sol de verão, afunda esses pezinhos urbanos nessa areia branca e meio quente. Desaba. Mas não desaba de dor, não desaba de exaustão, não se entrega à confusão, não se joga nessa patologia não diagnosticada de instabilidade mental, não cede ao constante convite de auto destruição. Desaba no fim de tarde. Desaba no céu lilás-laranja das cinco e meia. Se perde em fofuras e figura das nuvens, canta um pouco. Permite se comover mais, se envolver menos, se apegar ao mínimo, se libertar ao tudo. Quando o tempo começar a escurecer, quando te tirarem a força da paz e da plenitude do ser, grita, esperneia, chora, se debate. Só não se tranca de novo no quarto.