segunda-feira, 29 de setembro de 2014

You're sweet like poison.

A vida não é legal. Não confie nela. Aceito que parte da razão da sua existência  seja nos testar e nos desenvolver para lidar com os tais desafios. Mas afetar meus interiores mais profundos, ai é apelar. Rio estericamente quando me vejo envolvida pelos braços do destino, manipulando-me de forma sádica, proporcionando-me míseros momentos de prazer em troca de um vazio arrasador. Me encontro quase que num mostruário de emoções. Sorrisos doces e perfeitos me adorando, me mimando, palavras que encantam meus ouvidos e minha mente, mas estão ambos presos numa vitrine da qual só posso admirar, mas nunca tê-los só para mim. Ah sim, não posso esquecer de agradecer á minha querida obsessão por me acompanhar durante tanto tempo. É quase uma droga. A abstinência me devora, pedindo por mais e mais. Por favor, pare. Encare as coisas que realmente importam. Enterre essa sua mania de cultivar ilusões. Melhor, pare de criá-las. Ou pelo menos creie naquelas que ao menos contribuirão para algo. Mas que pena que algumas realmente fazem isso, mesmo que momentaneamente...

terça-feira, 23 de setembro de 2014

O sussurro do Trovão.

    Já era noite. Minto, estava muito mais próximo do raiar do dia. Não que isso importasse, afinal não se escuta as dádivas silenciosas de melodias noturnas pela manhã, e aquilo fazia falta. Uma distância deliciosa e segura mantinha duas forças em perfeita sintonia. Não havia nem mesmo a troca de energia, apenas de poesias sem rimas, originadas de uma arte milenar e quase desconhecida pelo homem moderno: o sono. As palavras aleatórias, que só transmitiam o quanto era desnecessário qualquer coesão a outros ouvidos, apenas apuravam a incerteza do momento. E só se distinguia um som, entre todas aquelas horas oníricas: o sussurro do trovão. Era quase um efeito alucinógeno, uma necessidade de apreender o timbre de que tanto dependia aquela mente. Resgatar o eco que nos seus sonhos provocava. Abdicar da sanidade em busca da obsessão platônica. A troco de quê? Satisfazer suas únicas experiências como se fossem as últimas? Ainda há espaço-tempo restante, não se engane. Entretanto, o sopro do caos é envolvente. E não entende-se como algo ruim. Mas a interpretação da força que acompanha a palavra é o melhor modo de se definir a intensidade do som. Leia trovão. Imagine a sua potência e esforce-se para encontrar a suavidade que é transmitida no final de um trovão. Conseguiu captar aquela sensação pós susto que o faz prestar atenção em cada palpitar dos céus até não haver sinal de qualquer ruído? Aguarde o relâmpago seguinte.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O mistério das origens.

     Me pergunto se um indivíduo pode sentir qualquer coisa sem depender diretamente de algo. Se alguém chega e fala para você "puxa, estou feliz!", instantaneamente você pergunta "por que?". É uma questão absurda de se levantar, mas pare e pense: é tão inerente ao ser humano depender tanto de uma segunda existência para medir seus atos ou suas emoções? Não existe uma opinião formada do próprio ser, existe o fato dele concordar com algo já existente, ou ainda interpretar e fundir ideias de terceiros... mas elas já existem. Não existe uma criatura apaixonada sem a figura pela qual ela se apaixonou. Entende o quanto não faz sentido você alegar estar apaixonado por....... Exatamente. Mas acho que a dificuldade de se imaginar um sentimento ou ideia independente se dá pela complexidade destes. Se você fala que está feliz, perguntam o porquê, e você simplesmente responde ''Não sei, apenas estou", encararão isso como uma belíssima prova de equilíbrio existencial com a vida que leva. Mas se você fala que ama, com certeza pensarão "O que?" e o seu silêncio será incoerente. Creio que a inexistência do "porquê" seja menos polêmica que a do "o quê", já que todo ato ou sentimento é mais baseado no inicio destes que no motivo de prosseguirem. A partir daí surge um novo tópico: e sobre a dependência dos sentimentos e atos ruins? Coisas ruins são ainda mais complexas que coisas boas. Você não cria uma fé almejando algo ruim, e mesmo que esteja, o ruim não seria tão... ruim. NÃO SE ALMEJA COISAS RUINS. Você não vive esperando maus resultados. Você não quer ter uma vida dificil. Você nunca está completamente preparado para o fracasso. As coisas não desejadas são ainda mais dependentes tanto do "o que" como do "porquê", porque vivenciar a derrota  não é admissível sem um bom motivo. Experimente falar para alguém "Estou triste". Obvio que perguntarão o porquê. E mesmo você negando, nunca acreditarão que o sentimento apenas está la ao acaso. Ao contrário, proclamar felicidade repentina por absolutamente nada  é digno de admiração. Você não precisa de algo para se escorar por temer a felicidade, e pouco importa muito de onde ela vem, basta que ela exista, e que o seu porquê esteja por ali. Não sei onde quero chegar. Mas queridos, aceitem que a tristeza ou coisas afim não estão sempre relacionadas a alguma consequência de algo que você fez ou deixou de fazer. Ela simplesmente existe. Faz parte. Você é feito de tristeza, assim como de alegrias. Elas não dependem apenas de você, depende também do acaso. Mas olha que maravilha, elas dependem! É meus caros, minha reflexão foi um fracasso. E pasmem, eu estava preparada para isso. Mas há algo que eu contemplo em relação a sentimentos: eles podem surgir do além. Não digo que independam de outros fatores, mas eles podem surgir como uma brisa numa tarde quente, imprevisível. Toda essa indagação filosófica foi fruto de um filme que assisti. E olhe que não era nada muito ligado ao assunto. Era apenas um romance fofo, original até, mas de características clichês. Logo que terminou, me senti tão bem, tão leve. Foi uma felicidade repentina de uma noite de domingo, simplesmente me senti apaixonada, mas por nada. Percebe o quão vago isso é? Era nisso que eu queria chegar aqui. Um dia atingiremos a essência das coisas. Quem descobriu a felicidade não sabia da existência dela até aquele momento, assim como a tristeza. Elas apenas estavam ali, e então resolveram nomeá-las. Bom, o texto já deu o que tinha que dar. Fui ao máximo do que eu queria expressar, embora ainda existam questões a serem esclarecidas. Ir além iria contra toda a teoria de desordem, então convivamos com ela. 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Era uma vez o amor...

   Ok, vamos afundar no clichê comum na vida de qualquer adolescente. Vamos descrever o tal sentimento mais uma vez,trocando algumas palavras pra variar. Certamente muita gente fala que o amor é algo fascinante, um sentimento misterioso que parte ou constrói corações solitários. De fato. Porém, os filmes hollywoodianos nos passam uma certa impressão de que no final, depois do típico sofrimento amoroso, tudo dará certo, o casal viverá feliz, e quem tanto sofreu irá, para a alegria do senhor, ser feliz com a sua conquista. Lindo. Mas voltemos a realidade. 
   Tudo seria mil maravilhas se ambos os pombinhos compartilhassem de tal sentimento. Obviamente não é o que acontece, na maioria das vezes. Duas pessoas se tornam um casal por sorte,obra do destino, cartas de tarô ou se uma delas estiver fazendo de tudo para se identificar com a outra e agradá-la. O tradicional é uma pessoa se apaixonar pela outra e esta não sentir o mesmo. 
   Agora descrevamos o perfil da primeira pessoa,o fruto da paixão. Ela (falarei da menina porque,afinal,sou uma menina,entendo mais dessa parte),um belo dia, encara seu futuro amor. Nada acontece. Entretanto,com o passar do tempo, ela nota certas pecualiaridades no cara que as interessa. Ela se identifica com certos trejeitos e gostos dele. Ele olha pra ela. Ele,num certo momento, fala com ela. Eles conversam, riem, compartilham fatos da vida. Otimo. Os olhos da menina brilham com o progresso(?). A menina imagina momentos com ele, treina futuras conversas, se vê na frente do espelho enquanto fala só pra checar o melhor ângulo do seu rosto e até repara em pequenas falhas no seu cabelo ou em qualquer parte do corpo que podem ser melhoradas. Tais pensamentos dominam sua mente e ela perde muito tempo com isso. Além disso, ela vai atrás de todos os gostos do rapaz a fim de terem algo em comum no que conversar. Muitas vezes eles de fato possuem algo em comum. Tola. Ela não vê a hora de vê-lo. Quando eles começam a conversar, para a menina, é como se os minutos morressem e tudo é muito feliz. O tempo passa e ela realmente está gostando daquilo e tem até mesmo expectativas. Dai,em um dia de sol, num raiar da manha, o menino, no meio de uma conversa sorri e fala: cara, você é uma amiga e tanto. Cara? Amiga? Puf.
    Infelizmente a menina não enxerga o que se passa ali. Finalmente, quando ela nota que o que ele é pra ela não é igual ao que ela é pra ele, e não por analisar a situação, mas por puro devaneio, sua mente é mais uma vez inchada por pensamentos bem fúteis, do tipo '' o que há de errado comigo'', e é ai que a menina erra feio. Ela começa a imaginar que o errado é ela, o anormal é ela, o não desejável é ela. O menino ainda continua o perfeito da história. E quando essa situação já se repetiu diversas vezes ao longo de sua vida? A autoestima simplesmente despenca e ela nem nota. Depois de uma certa época ela nem liga mais para o amor,a beleza ou coisas do tipo, não que ela se odeie ou pare de se cuidar, apenas por não ter tanta importância. Viva! A vida e a mente dela estão mais uma vez estáveis, preocupadas com o bem comum, com a felicidade e com que filme assistir em uma tarde de tédio. Sinto-lhes informar, mas anteriormente ela houvera criado expectativas e elas nunca morrem. O que acontece? Uma paixão reaparece, e tudo volta a tona. 
   Taí. É essa crônica de algumas linhas que os roteiristas transformam em verdadeiras tramas e dramas nas telinhas do cinema e em páginas e páginas de grandes best-sellers. Só não me venham com triângulos amorosos e instabilidade emocional frenética. Se duas pessoas se gostarem verdadeiramente já é dificil, três já é apelar pra boa vontade.
   Uma boa noite.

sábado, 7 de abril de 2012

Minha ilha particular.

   O sol entra com a liberdade com que eu respiro o ar. É como se cada elemento não dependesse de nada para existir. Como se tudo que eu visse fosse obra de um acaso qualquer,de uma sorte desconhecida. A lógica das coisas era desafiadora,como se uma unica parte mudada fizesse toda a diferença. Um passo em falso e eu poderia destruir aquele lugar. Uma olhada errada e eu desvendaria o mistério aconchegante. Tudo era,e ao mesmo tempo não era calculado,ligado e dependente de mim. Era uma gigantesca responsabilidade invisível sobre minhas costas. O suor  que caia de carregar aquilo era amado. Eu sou uma alma masoquista que sofre por felicidade. Será?
    Bem vindos ao meu mundo imaginário perfeito.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Fim?

  O filme já está acabando.Já estamos nos créditos finais.É ai que daremos o real valor de cada protagonista.É o momento que identificamos cada música da trilha sonora.E,mais importante,é nos créditos que vemos o quanto o filme foi interessante,e o quanto durou.
  Foi longo.Teve história.Teve moral.Será que sim?Não foi  tão depressivo quanto eu achava que seria.Não foi completamente perfeito.Não teria graça se fosse.Houve tradução de cada palavra.Nada foi passado despercebido.Cada um teve sua importância,seu papel nesses créditos finais.Agradecimentos:Todos os melhores possíveis para aqueles que que fizeram parte desse filme,mais um guardado na minha estante.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O impossível.

  Eles viviam suas vidas,distantes.Não eram próximos.Não eram nem amigos.Sentiam uma repulsa mútua um pelo outro,cada um com personalidades horrivelmente diferentes.Suas amizades pertenciam a mundos completamente paralelos.O anjo.A rebelde.O branco e o preto,destacando-se por suas diferenças.Eram apenas Yin e Yang.
  O futuro é desconhecido e a rotina de cada um era de completa surpresa.Não eram apenas as diferenças que os tornavam distantes,mas o receio e o medo.Era evidente.Cada um tinha suas próprias convicções.Eles não se odiavam ou se repeliam,mas se atraiam de modo assustador.Eram como almas interligadas.Polos de um ímã que não podiam se separar de forma alguma.Não era atoa que nenhum faltavam suas aulas ou trocavam de lugar no intervalo.A simples metragem entre eles era suficiente para se controlarem.Mas não era o bastante.Eles não conseguiam evitar as olhadas rápidas e esquivadas velozes de pensamentos.Um pelo outro.Sempre.A sociedade que os envolviam os impediam de se expressarem de forma verdadeira.A questão era: por que tanto temor em se juntarem e explodirem em emoção,amor e alegria?Só havia uma resposta: o tão desprezível status.Cada um tinha uma imagem a manter.Ele,com seu jeito certinho,sua cara inocente e sua lábia de que a vida precisa ser controlada e sempre baseada em exatas,tipico de inteligentes intelectuais.Ela,com seus cabelos metade presos por uma presilha simples.Seus olhos,mesmo que castanhos e perfeitamente normais,possuíam um indecifrável mistério,que só o mais profundo dos olhares poderia atingir e descobri-lo.Tinha um jeito mais que debochado e desprendido de viver,como se o amanhã não importasse.Completo erro.Que seja.Ambos não aguentariam,nem que fossem deuses fortes ou coisa do tipo,tal pressão.
  A aula acabara.Todos foram emboram.
  Como de costume,ele subia a rua,em direção a sua pseudo-mansão,a algumas quadras dali.Ela,descendo a rua,se dirigia a uma lanchonete,onde iria se embebedar com coca-cola,puro açúcar e cafeína.Aquilo a animava,ao mesmo tempo que a acalmava psicologicamente,e a ajudava a parar de pensar tanto em seu inimigo sentimental.O garoto,diferentemente,chegara em casa,ligara seu aparelho de som e começara a escutar opera.Para ele,identificar todos os instrumentos de uma sinfonia era capaz de desviar seus pensamentos,grudados em você-sabe-quem.De repente uma ideia lhe antigiu em cheio.Queria porque queria ir a lanchonete no fim da rua,local onde a garota sempre ia,mas ele não sabia.
  O mesmo aconteceu com a garota.Uma vontade louca de subir a rua e ir em direção ao conservatório a encheu de alegria,até então inexplicável.
  O caminho a ser prosseguido por ambos era o mesmo.Era óbvio que se encontraria.
Ele descendo.Ela subindo.Os dois,de longe,muito longe,se enxergaram.A vontade de cada um era dar meia volta,mas a vontade do alien desconhecido morando em seus estômagos era mais forte,e os forçaram a continuar.Já estavam perto.Já estavam quase frente a frente.Continuaram.Um passou pelo outro,trocaram olhares,como se estivessem se comunicando por eles,mas seguiram.
  Ela parou.Ele também.Ela se virou,com uma expressão jamais vista.Seus olhos estavam cheios de lágrimas.Não conseguia entender porque via tanta paz no cara a sua frente.De tanto o observar,mesmo que de longe,desde muito tempo, ela passou a vê-lo como um na sua mesma situação: rodiado por gente que o pressionava a viver numa cadeia comportamental.De repente ela se viu abraçada a ele,e apenas falando e falando,completamente sem controle,desabafando sua vida com um desconhecido.De início o garoto se via confuso naquela situação.Aos poucos ele se encaixou na mesma realidade.
  Finalmente,quando ela parou de falar,eles se soltaram,e apenas se olharam por longos segundos.Olhares poderosos.A conexão entre eles eram muito forte,como se existisse antes mesmo de terem nascido.Com apenas simples olhares entenderam que não havia motivo para prender o tal sentimento.
  Se abraçaram,mas agora muito mais forte.Aquilo os acalmava muito mais que coca-cola e ópera.
  Se soltaram de novo.
  Então,ele juntou coragem e falou:
 -Oi,eu sou Johan.
  Ela,ainda confusa murmurou:
 - Sou Alanis,prazer em conhecê-lo.