Após 4 ligeiros anos sem escrever neste blog, retorno de maneira extremamente descompromissada só para relatar um grande momento da história mundial referente à PANDEMIA do Covid-19. E para falar besteiras sobre mim, afinal é disso que se trata este canal.
Mas antes de relatar as diversas provações diárias desse período de quarentena e isolamento social, uma nota: É sempre um experimento retornar e reler certas coisas escritas em momentos muito distintos da minha vida, especialmente porque certos infortúnios nunca mudam. Felizmente, em 2020, digito cada letra deste texto sem ter uma única ilusão amorosa recente, apenas armada de amor próprio. Infelizmente, parte das lamentações sentimentais permanecem. Sim, meus caros, no auge dos meus 23 anos, beirando pesados 24, sigo desprovida de grandes badalações sentimentais e admirações irracionais direcionadas a outro indivíduo, ou seja, solteira. Parte de mim só acha que eu mereço morrer só, embora não tenha feito nada para merecer. A outra parte concorda que, independente de qualquer coisa, morreremos só.
QUANTO À PANDEMIA. Bom, estou a mais de 40 dias inteiramente isolada em casa, seguindo certas rotinas profissionais, cumprindo horário de estágio, aqui e acolá fingindo que eu posso aproveitar o tempo para agilizar meu desenvolvimento acadêmico, e esquecendo desse objetivo logo em seguida, quando me vejo imersa em uma lista inacreditável de filmes e séries vistos em uma semana. A coluna já pede socorro, a promessa de exercícios físicos diários se tornou um grande mito, tal qual o atual presidente da república: incompetente e negligente. Tem dias que está tudo bem, em outros, reflito sobre os devaneios básicos do ser humanos "quem sou, porque sou, pra que vivo". Confesso que passar mais de 20 min pensando sobre o sentido da existência num período em que você não pode fazer absolutamente nada para mudar sua rotina (que envolva sair de casa e interagir) não é muito saudável. Não recomendo, caso surja outra pandemia, ou esta se prolongue por mais tempo que o previsto. A única coisa capaz de resolver todos os seus problemas de maneira eficiente (pelo menos por um tempo) é deitar e dormir.
Enfim, demais atualizações sobre a condição da humanidade, ou meu estado de espírito, planejo registrar por aqui. Google, não me decepcione, mantenha este blog vivo por tempo suficiente para que eu posso retornar aos fracassos de escrita por mais anos a frente.
Quem sabe eu volte a escrever sonhos.
quarta-feira, 29 de abril de 2020
terça-feira, 17 de outubro de 2017
About you
Me deixa, eu te imploro. Me larga. Me liberta dessa insensatez, do sentimento insalubre que me adoece a cada história criada. Não me olha mais nos olhos, não me escreve mais poemas. Não me legenda como íntimo, não me envolve nessa psicodelia, não me faz pensar no impensável, não me recita o amor universal. Não sou o universo, muito menos a ligação infinita e recíproca dos subníveis de um átomo. Eu sou um corpo. Eu sou uma mente. Eu sou o individual, o ego, o escárnio, o erro, a obsessão, a lágrima que cai e que jorra quando palavras dilaceram meu interior. Eu te desenho, eu te escrevo, e te venero, eu te desejo. E não quero mais. E nem sei mais. Já não cabe mais. A mentira da estabilidade me abraça e me esfaqueia na penumbra da expectativa, que me cega, me venda e me vende as maravilhas do ideal. Não entra mais em casa, não entra mais em mim.
E toda noite eu clamo pelo nunca mais.
E toda noite eu clamo pelo nunca mais.
quarta-feira, 7 de junho de 2017
Toxic.
Prudência jovem, palavras ferem. Uma faca de dois gumes que penetra o peito de quem a segura, ou o pescoço de quem a recebe. O jorrar do sangue morno banha o corpo do leitor, que, imerso nas próprias interpretações, se afoga ao gritar por socorro. Pare? Esclareça? Continue a escrever? Respire. Esqueça o que se leu, reinvente o que foi entendido, confesse que a insanidade distorce os sentidos. Que conselho dar a quem carrega um inferno astral nas costas? Reflita, re-leia, rejeite, reaja, refaça, reviva, restaure, resguarde, resgata e respeite. Respire. Faça o que eu não digo. Faça o que eu não penso. Siga a razão, a integridade desse coração é questionável, a credibilidade dessa emoção é podre, a estrutura desse corpo é finita, e definha. Por fim, inspire. Respire.
domingo, 2 de abril de 2017
And pain is just a simple compromise
Te observo. Inegáveis as vezes que quis observar mais. De querer somente percorrer toda a extensão da tua alma e corpo com um olhar. De querer compreender cada expressão, cada movimento da maneira mais plena. Diversos são os pensamentos nos quais persigo teus passos em busca de serenidade. Encontro palavras turvas. Reviro os olhos quando me encontro nas amarras do meu próprio sentimento, egoísta, mesquinho, viciado. Tal qual um dependente, rastejo em busca dessa morfina que cala meus medos, silencia receios, acalma. Nas noites, entregue ao divã imaginário dos meus devaneios, me sacio com uma droga eletrizante de amor, empolgação, carinho, uma dose doce de desejo contido, obsessão, que mais uma vez me agarram pelos cabelos curtos, mas que usam minhas próprias mãos para isso. Um embate diário entre a razão que repreende e a emoção que dilacera todas as cavidades de um coração ansioso, sempre pronto para sentir o calor do taquicardia que me vitimiza ao olhar nos teus olhos, que rasga o peito diante do sorriso, que me envolve na conversa solta e que me aquece no silêncio gélido. Diante das mais falhas tentativas de demonstração, me assemelho a um ventríloco, que manipula a própria voz e a entrega ao personagem. Não tenho como definí-lo. Entretanto, atinjo o ideal de liberdade literária ao fazer das palavras uma saída. E é em modo de fuga que lhe digo: tão macios são teus lábios que brevemente me perco, com os olhos fechados, numa escuridão onde até mesmo andaria de pés descalços nas brasas da tal emoção. O exagero é aceitável, as metáforas talvez piegas, a inconclusão quem sabe um charme, honestamente, já não sei mais.
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
Take me somewhere nice.
Olha lá, que linda aquela jangada embalada pelo mar. Olha só, esse estrago que a brisa faz com teu cabelo e só te causa vontade de rir, tamanha a confusão que é sentar contra o vento na praia. Sente um pouco esses pequenos fragmentos que foram sedimentados por anos, milênios, eras, muito antes de tu ser importante para alguém, que se deparam com a tua pele que mal sai de casa. Abraça essas águas mornas e salgadas, brinca com essa sombra que vira e mexe num sol de verão, afunda esses pezinhos urbanos nessa areia branca e meio quente. Desaba. Mas não desaba de dor, não desaba de exaustão, não se entrega à confusão, não se joga nessa patologia não diagnosticada de instabilidade mental, não cede ao constante convite de auto destruição. Desaba no fim de tarde. Desaba no céu lilás-laranja das cinco e meia. Se perde em fofuras e figura das nuvens, canta um pouco. Permite se comover mais, se envolver menos, se apegar ao mínimo, se libertar ao tudo. Quando o tempo começar a escurecer, quando te tirarem a força da paz e da plenitude do ser, grita, esperneia, chora, se debate. Só não se tranca de novo no quarto.
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
But I keep running for a soft place to fall.
A gravidade é cruel. Me puxa contra o chão, me lança na imensidão, judia de um corpo sem forças para ao menos se manter em pé. Bato as pernas, peço socorro com braços flácidos de exaustão e em nada consigo me agarrar para ficar no lugar. O vácuo me envolve, não consigo respirar. A pressão me explode de dentro para fora, não há conceito físico que mantenha a unidade do meu ser. Um gosto estranho se instala na boca, a náusea invade um interior vazio de convicções. Cambaleante, sigo tropeçando em meus próprios demônios, que me abraçam, me apertam, me sufocam, me destroem, me embalam, me convencem, me distraem, me confortam e me largam novamente para cair. Observo, em meio à lentidão, algumas lágrimas que não parecem saber de onde vêm. Busco por perguntas para as minhas justificativas, tudo que eu queria era uma solução. Tudo que eu tenho são soluços.
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
Their tears are filling up their glasses, no expression.
Numa tentativa de arquivar algumas sensações, venho por meio desse texto relatar características de um dia em que gozei da solidão para perceber que ela pode não ser tão ruim.
Mais um dia de sol nasceu, repleto de pequenos rituais. Levantar, tomar banho, comer, beber um copo dágua, prender o cabelo e sair. Tinha uma consulta com a psicóloga, ando fazendo terapia. O trajeto é tranquilo, são movimentos executados de maneira quase automática. Inovei um pouco lendo um livro. Li algo sobre marketing que se referia ao drama ainda não concretizado da história. Achei muito interessante. Pelo o que entendi, uma empresa de lâminas observou queda das vendas de determinado barbeador. Na verdade, a grande questão não era a qualidade questionável do produto, pelo contrário. As lâminas eram tão boas que os consumidores retornavam ao supermercado menos vezes para adquirir outras. A empresa estava achando aquilo prejudicial para os lucros, então decidiu lançar um novo produto, com algum diferencial, mas com durabilidade inferior. Mas porque refletir sobre lâminas?
As consultas semanais diminuem certa tensão de origem desconhecida que carrego em minhas costas. Pautas aleatórias são lançadas, e concluo todas elas com exercícios de respiração. No fim, agradeço e remarco a consulta para semana posterior. Não sei quanto tempo isso vai durar.
Me dirigi ao shopping. O dia anterior fora bem difícil, crises ocorreram de forma desconhecida. Devo dizer que eu tenho medo. Decidi que deveria fazer algo que me distraísse, sozinha mesmo.
Almocei calmamente e no silêncio de uma mente rodeada de burburinhos de uma praça de alimentação. Resolvi ver um filme no cinema. Nos espaços que ia percorrendo. percebi tanta coisa. Grupos de estudantes histéricos por algum motivo, alguns indivíduos mais carrancudos que observavam aquelas cenas com desaprovação (ou indiferença?), mães e pais animados acompanhando seus filhos em algum passeio familiar, casais esboçando carinho e união em momentos que eu confesso sentir certa inveja... Queria lembrar de tudo, a mente humana é falha, ou pelo menos a minha, Ela foca em coisas insignificantes, às vezes prejudiciais, e se esquece ou não é capaz de guardar pequenos cenários do cotidiano, pequenos fatores que tornam a cronologia do ser humano única. Me pergunto se a minha está sendo favorável. Se fosse possível revê-la em todas as suas características, eu estaria satisfeita? Na verdade, duvido muito. Sinto que, no caminho da vida, eu cai num buraco fundo que eu não consigo sair. O otimismo não me socorre, os bons momentos não me comovem, boas intenções passam despercebidas e a única capacidade que me restou foi a de guardar rancor, mágoa, ódio, tristeza. Peço constantemente perdão, não valorizo mais meus atos, quiçá minha existência. Não posso me deixar levar para tão fundo, quem garante que sempre será possível me resgatar? Tenho medo da profundidade, tenho medo da solidão, tenho medo da morte, tenho medo. Quero me livrar disso, desses demônios, desses tormentos, desse peso, quero ajuda, mas não sei de fato o que anda acontecendo. Sendo bem sincera, as coisas ultimamente terminam nisso: em um grande e inviolável ''não sei''. Escrevo por horas, converso por dias, penso uma vida inteira. Me sinto fraca, indefesa, ingênua, ignorante. Careço de atenção, mas me incomodo quando a tenho. Só desejo que as pessoas calem a boca. O que diabos ta rolando.
Confecciono este devaneio no meio de uma aula. Absorvo absolutamente nada do conteúdo, é algo relacionado a aerofotogrametria, mas se olhei para as anotações da lousa 5 vezes foi muito. Não me surpreende quando a noite chega e eu sou tomada pelo sentimento de improdutividade. Mas afinal, estou sendo vítima desse infortúnio emocional ou culpada por estar cultivando isso? Poderia parar agora e prestar atenção na aula. Mas só penso em ir para casa e me isolar novamente, ou sair escrevendo até lá, inventando o que me distrair.
Bom, já chega. Me falta repertório e conteúdo que não pertença a esse sentimento cíclico de auto-destruição.
Mais um dia de sol nasceu, repleto de pequenos rituais. Levantar, tomar banho, comer, beber um copo dágua, prender o cabelo e sair. Tinha uma consulta com a psicóloga, ando fazendo terapia. O trajeto é tranquilo, são movimentos executados de maneira quase automática. Inovei um pouco lendo um livro. Li algo sobre marketing que se referia ao drama ainda não concretizado da história. Achei muito interessante. Pelo o que entendi, uma empresa de lâminas observou queda das vendas de determinado barbeador. Na verdade, a grande questão não era a qualidade questionável do produto, pelo contrário. As lâminas eram tão boas que os consumidores retornavam ao supermercado menos vezes para adquirir outras. A empresa estava achando aquilo prejudicial para os lucros, então decidiu lançar um novo produto, com algum diferencial, mas com durabilidade inferior. Mas porque refletir sobre lâminas?
As consultas semanais diminuem certa tensão de origem desconhecida que carrego em minhas costas. Pautas aleatórias são lançadas, e concluo todas elas com exercícios de respiração. No fim, agradeço e remarco a consulta para semana posterior. Não sei quanto tempo isso vai durar.
Me dirigi ao shopping. O dia anterior fora bem difícil, crises ocorreram de forma desconhecida. Devo dizer que eu tenho medo. Decidi que deveria fazer algo que me distraísse, sozinha mesmo.
Almocei calmamente e no silêncio de uma mente rodeada de burburinhos de uma praça de alimentação. Resolvi ver um filme no cinema. Nos espaços que ia percorrendo. percebi tanta coisa. Grupos de estudantes histéricos por algum motivo, alguns indivíduos mais carrancudos que observavam aquelas cenas com desaprovação (ou indiferença?), mães e pais animados acompanhando seus filhos em algum passeio familiar, casais esboçando carinho e união em momentos que eu confesso sentir certa inveja... Queria lembrar de tudo, a mente humana é falha, ou pelo menos a minha, Ela foca em coisas insignificantes, às vezes prejudiciais, e se esquece ou não é capaz de guardar pequenos cenários do cotidiano, pequenos fatores que tornam a cronologia do ser humano única. Me pergunto se a minha está sendo favorável. Se fosse possível revê-la em todas as suas características, eu estaria satisfeita? Na verdade, duvido muito. Sinto que, no caminho da vida, eu cai num buraco fundo que eu não consigo sair. O otimismo não me socorre, os bons momentos não me comovem, boas intenções passam despercebidas e a única capacidade que me restou foi a de guardar rancor, mágoa, ódio, tristeza. Peço constantemente perdão, não valorizo mais meus atos, quiçá minha existência. Não posso me deixar levar para tão fundo, quem garante que sempre será possível me resgatar? Tenho medo da profundidade, tenho medo da solidão, tenho medo da morte, tenho medo. Quero me livrar disso, desses demônios, desses tormentos, desse peso, quero ajuda, mas não sei de fato o que anda acontecendo. Sendo bem sincera, as coisas ultimamente terminam nisso: em um grande e inviolável ''não sei''. Escrevo por horas, converso por dias, penso uma vida inteira. Me sinto fraca, indefesa, ingênua, ignorante. Careço de atenção, mas me incomodo quando a tenho. Só desejo que as pessoas calem a boca. O que diabos ta rolando.
Confecciono este devaneio no meio de uma aula. Absorvo absolutamente nada do conteúdo, é algo relacionado a aerofotogrametria, mas se olhei para as anotações da lousa 5 vezes foi muito. Não me surpreende quando a noite chega e eu sou tomada pelo sentimento de improdutividade. Mas afinal, estou sendo vítima desse infortúnio emocional ou culpada por estar cultivando isso? Poderia parar agora e prestar atenção na aula. Mas só penso em ir para casa e me isolar novamente, ou sair escrevendo até lá, inventando o que me distrair.
Bom, já chega. Me falta repertório e conteúdo que não pertença a esse sentimento cíclico de auto-destruição.
Assinar:
Comentários (Atom)